Data: 22 e 23 de maio de 2008
Local: UFSCar (Universidade Federal de São Carlos)
Tema: XXIV JELI (Jornada de Ensino de Língua Inglesa) - Implicações do Ensino a Distância na formação do professor e do aluno de línguas
Palestrantes: Rosinda Guerra Ramos (PUC-SP), José Carlos Paes de Almeida Filho (UnB), Nelson Viana (UFSCar), Fredric Michael Litto (Presidente da ABED), Marcelo Buzato (Universidade Federal da Grande Dourados), Daniel Mill (UFSCar), Luis Fernando Gomes (UNISO), Gabriela Imbernom (UniFAIMI), Anna Patricia Zakem China (Richmond Publishing) e Denilso de Lima (autor dos livros “Inglês na Ponta da Língua” e “Por que assim e não assado?”).
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TO CRY “WOLF”
[Dar alarme falso]
Reporta-se à fábula do menino pastor que se divertia avisando a vila de um ataque de lobos. Quando o fato realmente aconteceu ninguém acreditou nele e lá se foram as ovelhas.
- They had cried wolf so many times, that when it was for true no one believed.
- Eles deram alarme falso tantas vezes que, quando foi para valer, ninguém acreditou.
Referência: “All the Dogs are Barking - Os Animais na Língua Inglesa” de Martha Steinberg, Disal Editora, 2006. Leia a resenha.
Os leitores do Tecla SAP deram, mais uma vez, um show no exercício proposto na semana passada! Foram 227 pessoas (71%) que escolheram a alternativa certa. Agradeço, como de costume, o interesse de todos. Participe da enquete (veja exemplo) votando em uma das opções. Envie-a para um amigo clicando no link “Envie esta dica” abaixo. Publico a resposta na próxima semana.


SHAME ON YOU!
[Que papelão!, Que vergonha!]
Referência: “Whatchamacallit? - Novo dicionário português-inglês de idiomatismos e coloquialismos” de Adauri Brezolin, Alzira Leite Vieira Allegro e Rosalind Mobaid, Disal Editora, 2006. Leia a resenha.
por Ron Martinez
A origem da expressão “programa de índio” é um pouco obscura, mas provavelmente vem da idéia dos povos indígenas serem vistos como seres sem sofisticação, sem os confortos da vida moderna. Fazer trilha no meio do mato? Isso é programa de índio! Visitar uma praia deserta onde não tem nada? Isso é programa de índio! Ir a uma floresta só para ficar observando os passarinhos? Isso é programa de índio!
O significado da expressão expandiu-se para cobrir todo tipo de programa que não deu, não dá, ou não dará certo. Um programa em que tem gente demais, ou que parece chato, ou que obriga passar muito calor, ou sem organização, ou, como no que parece ser o significado original, totalmente destituído de qualquer luxo.
A dificuldade de traduzir a expressão ao inglês começa a partir do fato de a própria palavra “programa”, no sentido de determinada(s) atividade(s) planejada(s), não encontrar equivalente em inglês. Em português, além de programa de índio, as pessoas planejam um programa de fim de semana, programa de família e programa a dois:
programa de fim de semana- weekend activities (+/-)
- programa de família
- family activities (+/-)
- programa a dois
- date (+/-)
As “traduções” acima são muito fracas, pois um programa não se resume a apenas uma lista de atividades. Um programa pode simplesmente ser não fazer nada. Ficar só deitado na cama, assistindo televisão, pode ser um programa. Na verdade, em inglês a maneira de traduzir qualquer locução com programa mudaria dependendo da referência temporal:
- Qual foi o programa de fim de semana?
- What did you do this weekend?
- Qual é o programa de hoje?
- What are we doing today?
- Qual vai ser o programa para o feriadão?
- What do [you] have planned for the holiday weekend?
Voltando, então, ao tema de programa de índio, como não existe nem a palavra programa em inglês, qualquer tentativa de tradução será frustrada. Seria algo assim em inglês:
programa de índio = I’d rather stay (at) home. (+/-) (em referência a programa futuro)
- Pescar no meio da floresta? Que programa de índio!
- Go fishing in the middle of the jungle? I’d rather stay home!
programa de índio = I should’ve stayed (at) home. (+/-) (em referência a programa já em andamento ou no passado)
- Fomos ao cinema, não encontramos vaga no estacionamento, tomamos chuva e, quando finalmente chegamos, já atrasados para o filme, os ingressos estavam todos esgotados. Que programa de índio!
- We went to the cinema, we couldn’t find any parking, we got wet from the rain, and when we finally arrived, late for the film, the tickets were all sold out. I should’ve stayed home!
Stay at home simplesmente significa ficar em casa – I’d rather stay home = prefiro ficar em casa; I should’ve stayed home = devia ter ficado em casa. Fica longe de ser uma tradução, contudo chega perto de transmitir a mesma emoção que se sente perante um programa de índio brasileiro. Claro, a tradução não funcionaria se o programa envolvesse ficar em casa! Nesse caso, talvez a melhor tradução seria, simplesmente, a waste of time (perda de tempo).
No site Yahoo! Respostas, foi feita a seguinte pergunta: “Qual é o seu programa de índio?” Um dos usuários ofereceu a seguinte resposta:
“Gostaria de fazer muitos programas de índio: Viver próximo à natureza, não ter que dar oito horas de trabalho por dia, não ter contas para pagar, não precisar de todos os aparelhos que uso em casa (que vivem quebrando), nem de carro, viver do que pescar ou caçar ou colher e o resto do tempo brincar e fazer indiozinho na rede.”
Se isso é programa de índio, não parece ser tão ruim assim.
Referência: “Como se diz chulé em inglês?” de Ron Martinez - Editora Campus/Elsevier, 2007. Leia a resenha.


