Comentários e perguntas: que problemas revelam?

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Ulisses Wehby de Carvalho

Comentários e perguntas no blog: que tipos de problema revelam?

Almocei outro dia com meu amigo Michael Jacobs, conhecido autor e colaborador frequente do Tecla SAP. Falávamos da vida, do ensino de inglês, de livros, entre outros assuntos.

Durante o bate-papo, como sempre muito descontraído, contei ao Michael um recente episódio sobre um e-mail que recebi com uma pergunta sobre o significado de uma palavra da língua inglesa. Como não respondi, 48h depois essa pessoa mandou outra mensagem cobrando resposta. Também não respondi. Passam-se mais 48h e a pessoa escreve de novo, mas dessa vez com a definição do termo copiada de um dicionário online. O mais engraçado é a seguinte afirmação: “Ulisses, como você não me respondeu acho que você não sabe a resposta da minha pergunta, então segue o significado abaixo”. Não é o máximo? 😉

Não tenho o hábito de responder perguntas dessa natureza por duas razões principais: meu tempo é escasso e, por princípio, não abro o dicionário para ninguém. Sem exceções! Tenho o maior prazer de ajudar quem quer que seja no Fórum Tecla SAP, mas somente com as dúvidas que não podem ser facilmente sanadas com uma simples consulta no dicionário.

Aliás, o Fórum é local indicado para o envio de dúvidas porque a troca de informações é pública, mais gente colabora com sugestões e o esclarecimento fica à disposição de quem tiver a mesma dúvida. #ficaadica Não tenho condições de dar essa consultoria particular por e-mail.

Depois de rirmos bastante da história, tentamos deduzir quais motivos levam uma pessoa a mandar um e-mail para outra para perguntar o significado de uma palavra. Preguiça? Folga? Falta de conhecimento tecnológico? Será que ainda existe gente que nunca ouviu falar do Google?

A conclusão a que chegamos aponta para mais de uma razão provável. De uma certa maneira, algumas delas estão na relação a seguir.

De qualquer maneira, é uma pena saber que essa pessoa levou 96 horas para solucionar um problema quando poderia ter encontrado a resposta em 10 segundos! Fico feliz em saber que meu silêncio serviu para que ela resolvesse se virar para encontrar a resposta sozinha. Mission accomplished!

Outras perguntas e comentários

O episódio, que está longe de ser um caso isolado, me motivou a escrever uma lista reunindo alguns dos  comentários mais frequentes e os problemas que podem mascarar. Aproveito para dar algumas dicas sobre o que os interessados em aprender inglês podem fazer para evitar comportamentos semelhantes.

Antes, no entanto, é importante deixar bem claro que os comentários sempre foram e continuarão sendo muito bem-vindos no Tecla SAP. Todo blogueiro gosta de receber feedback sobre seu trabalho e eu não sou diferente. De maneira nenhuma, a lista a seguir representa a maioria das mensagens dos leitores do blog. Quase sempre os comentários contêm elogios, agradecimentos, observações muito pertinentes sobre erros de digitação, eventuais omissões, contribuições com conteúdo adicional, entre outras.

1. O que significa tal palavra?

Problema: Falta de autonomia. Insegurança para abrir o dicionário e, dentre as várias acepções, escolher a ideal.

Solução: Desenvolver a autonomia no estudo da língua inglesa porque essa é a única forma de se tornar independente de fato no idioma estrangeiro. Aprender a pesquisar em dicionários online. Tentar deduzir os significados dos termos pelo contexto. Experimentar. Arriscar.

Sugestões:

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2. Tenho [viagem / reunião / entrevista / prova] em inglês daqui a muito pouco tempo. Tem alguma dica?

Problema: Falta de planejamento e, principalmente, falta de consciência sobre o tempo mínimo necessário para se aprender de verdade um idioma estrangeiro.

Solução: Em casos assim, costumo dizer brincando que meu processo de canonização está emperrado no Vaticano. Em outras palavras, continuo sem poder fazer milagres. Outra brincadeira que costumo fazer é dizer que aprender inglês não é bronzeamento artificial. Aprender uma língua estrangeira é um processo lento e gradual. Embora haja pessoas que afirmam o contrário, ainda não inventaram nada para mudar essa lógica.

Sugestões:

3. Não gosto de inglês! O que faço?

Problema: Em geral, esses pedidos vêm acompanhados de extensas descrições de problemas diversos e as mais variadas desculpas.

Solução: Se a pessoa ainda não descobriu uma forma de aprender inglês de uma maneira prazerosa – seja por meio de música, filmes, séries de TV, leitura de qualquer tipo de publicação, programas de entrevistas, documentários, video-games etc. – quem sou eu para ter uma resposta mágica para acabar com essa antipatia toda?

Sugestões:

4. Quanto tempo vou levar para ficar fluente em inglês?

Problema: A indagação pode ser legítima. É natural querermos saber quanto tempo vai durar um projeto antes de aceitarmos o desafio. O problema é se iludir achando que há uma resposta padrão para todas as pessoas.

Solução: De tão frequente, resolvi escrever um post com algumas observações úteis para quem enfrenta esse dilema. Leia o primeiro texto indicado a seguir para conhecer as variáveis que devem ser computadas para você fazer o cálculo de tempo. O segundo artigo é do Prof. Michael Jacobs. Não deixe de conferir as duas recomendações. Assista ao vídeo a seguir também sobre o tema:

Sugestões:

5. Comentário sem noção

Problema: Você pesquisa sobre um determinado assunto, escreve o texto procurando ser o mais claro possível, argumenta a sua tese, dá exemplos traduzidos etc. e chega uma pessoa do nada escrevendo um comentário que diz: “Não é nada disso! Eu sei que isso tudo que você escreveu aí não tem nada a ver!”. É claro que não fundamenta a opinião, não cita referências, muito menos escreve com educação. Fazer o quê?

Solução: A solução é simples: o comentário não é publicado! Confesso que eu costumava publicar esse tipo de comentário e tentava reescrever com outras palavras a mensagem. Mas nunca dá certo. Convenhamos, se o sujeito não entendeu nada de nada do texto original, vai entender uma eventual argumentação ou um esclarecimento?

Sugestão: Aulas de interpretação de texto.

6. Troll

Problema: O troller adota comportamento muito semelhante ao “sem noção”, mas com o único propósito de provocar discórdia e tensão. A intenção é “arrastar” as pessoas para um bate-boca virtual sem sentido. Aliás, o significado original do verbo troll é “pescar puxando lentamente a linha com anzol”. Daí seu emprego na Internet com o sentido de “fisgar” as vítimas para o confronto.

Solução: Comentário não é publicado!

Sugestão: Arrumar o que fazer.

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7. Como faço para entrar no mercado de trabalho?

Problema: Pelo fato de eu ter atuado no mercado de tradução simultânea há muitos anos, recebo pedidos dessa natureza com relativa frequência. Não há como responder pedidos assim sem se conhecer formação educacional, experiência em outras áreas, competência linguística, cidade em que a pessoa mora, entre muitos outros fatores. O termo “tradução” é, muitas vezes, empregado para também designar outras áreas afins: tradução escrita, tradução simultânea, tradução para legendagem, tradução literária etc. Todos esses nichos têm características próprias e que variam bastante de cidade para cidade.

Solução: Não tenho respostas nem mesmo para o mercado que conheço relativamente bem na cidade em que moro. Na verdade, não há receitas prontas para se entrar em nenhum mercado de trabalho justamente porque as variáveis são muitas. Vale para arquiteto, dentista, estilista, pintor etc.

Sugestão: Participar de fóruns e grupos de tradutores nas redes sociais. Participar de congressos de tradução. Ler de tudo, de publicações especializadas a gibis. Não parar de estudar!

8. Tenho bloqueio! Não consigo falar inglês!

Problema: Insegurança. Resistência em aceitar que o processo é de fato longo e exige regularidade, disciplina e determinação.

Solução: É inegável que há diferentes tipos de inteligência e, portanto, existem pessoas com maior ou menor facilidade para aprender um idioma estrangeiro. Leia a matéria  publicada na Revista Planeta para se inteirar sobre o tema. Daí a jogar a culpa toda em uma suposta deficiência incapacitante é outra história bem diferente.

Sugestão: Aceitar o fato de que os tropeços são inerentes a qualquer processo de aprendizagem. Não vai sair tudo 100% perfeito logo de cara. Aliás, também não vai ficar assim tudo perfeitinho nem na segunda, na terceira ou na quarta vez! Aprenda a conviver com as imperfeições porque Príncipe Encantado não existe, Cinderela! 😉

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9. Leio bem, mas não entendo o inglês falado. Como melhorar o listening?

Problema: Não existe problema nenhum. É natural que se entenda com maior facilidade o texto escrito do que o texto oral. Afinal de contas, não existe sotaque no papel, concorda? Caligrafia de médico não conta! 😉 No texto escrito, as palavras estão todas lá, escancaradas, sílaba por sílaba, letra por letra. Além disso,  você as lê no ritmo que quiser, quantas vezes precisar. O texto oral é outra história mesmo. Sotaque, velocidade, qualidade e volume do áudio, entre outras barreiras, costumam prejudicar sobremaneira a compreensão.

Mas não é só isso! Assista ao vídeo indicado abaixo para conhecer outras particularidades da língua inglesa.

Sugestão:

10. Como aprender rápido? Qual é o caminho das pedras?

Problema: Sinto informar, mas não há atalhos nesse caminho! A jornada é mesmo mais extensa do que todos gostaríamos. Não são raras as buscas no Google do tipo “aprender em inglês em [período de tempo]”. Essas pessoas acabam chegando ao Tecla SAP e por essa razão eu tenho acesso às palavras que digitaram no campo de busca. O curioso é notar que a unidade de tempo nessas buscas é meses, semanas e até dias!

Solução: Parar de se iludir e cair na real. É claro que há formas mais agradáveis e prazerosas para se aprender inglês, mas fazer download de idioma estrangeiro direto no cérebro só existe na ficção científica.

Sugestão:

Conclusões

Você acha que viu sua situação retratada em um desses grupos? Eu sinceramente gostaria de saber a sua opinião nos comentários. Gostou das sugestões?

Contribua enviando outras sugestões e soluções alternativas para que mais gente consiga se livrar das barreiras que as impedem de avançar no estudo da língua inglesa. Agradeço em nome de toda a comunidade de leitores do Tecla SAP!