Tradutor e intérprete: como se tornar um profissional da área?

Tempo de leitura: 13 minutos

Tradutor e intérprete by Ulisses Wehby de Carvalho

Tradutor e intérprete

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Tradutor e intérprete
Como se tornar um profissional da área?

Recebo, com muita frequência, pedidos de indicação de cursos de tradução e/ou interpretação. Em geral, são jovens que pensam em seguir a carreira de tradutor e intérprete. Resolvi, portanto, escrever este post para esclarecer as dúvidas de tanta gente interessada na profissão. Espero que você goste do texto e que ele sirva para você tomar a decisão mais indicada para as suas necessidades. Esse é mais um caso em que não há uma resposta que sirva para todo mundo. One size DOES NOT fit all.

Minhas credenciais de tradutor e intérprete

Sou intérprete de conferência desde o início da década de 1990 e, portanto, atuo no mercado de tradução simultânea em São Paulo há mais de 20 anos. Concluí o Curso de Formação de Tradutores e Intérpretes da Associação Alumni, onde também me tornei professor, fui aluno do curso de Letras (com habilitação em T/I) do UNIBERO – Centro Universitário Ibero-Americano, ambos em São Paulo. Fiz cursos de especialização na Universidade Georgetown, em Washington, e no MIIS – Monterey Institute of International Studies, na Califórnia. Ministrei cursos práticos de tradução simultânea no UNIBERO e no MIIS. Mais informações no perfil.


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Tradutor e intérprete? Existe diferença?

A expressão popular tradutor e intérprete é usada com frequência e pode dar a impressão de que a mesma pessoa vai desenvolver as duas atividades. É até possível, é claro, mas, em linhas gerais, o tradutor se atém à tradução de textos escritos, ao passo que o intérprete faz a tradução de textos orais. Embora a formação educacional básica seja praticamente a mesma – afinal de contas, em essência, é tudo tradução – as rotinas de trabalho desses dois profissionais são bem diferentes. Há muitas outras ramificações, mas elas não vêm ao caso agora. Vale lembrar que há profissionais que atuam, ao mesmo tempo, como tradutores e intérpretes, embora sejam minoria.

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Na página Tradução Simultânea, você conhece as diferentes modalidades: a tradução simultânea (com equipamento fixo ou portátil), também chamada de interpretação simultânea ou interpretação de conferência, a consecutiva, a simultânea de cochicho, entre outras.

Cf. A tradução e a tecnologia

Cf. Simultânea ou Consecutiva?

Cf. Tradução Simultânea: O equipamento portátil

Precisa de diploma para ser tradutor e intérprete?

Não. Essa é uma das poucas perguntas em que a resposta é simples e direta. A profissão não é regulamentada pelo Ministério do Trabalho e, portanto, qualquer pessoa, em tese, pode exercê-la. Não há nada equivalente a, por exemplo, CRM, CREA ou OAB, como precisam, respectivamente, médicos, engenheiros e advogados.

Precisar, não precisa, mas não há dúvida de que formação se faz necessária para o bom desempenho profissional. No próximo tópico, você fica sabendo mais sobre o assunto.

Cf. Google Translator e a Copa

Letras ou outra graduação?

Em tese, quem fez o curso de Letras tem um GPS mais desenvolvido para desvendar os caminhos tortuosos dos idiomas e tem, teoricamente, maior destreza com as palavras. Também em tese, quem fez, por exemplo, o curso de veterinária vai traduzir os textos técnicos sobre, digamos, criação de equinos com muito mais autoridade e precisão. Você reparou como reforcei “em tese” e “teoricamente”? Nada impede que um médico seja amante de literatura e uma aluna de Letras seja profunda conhecedora de aviação.

O que é melhor então para o tradutor e intérprete? Mais uma vez, não há resposta definitiva. Cada profissional terá de dedicar mais tempo e esforço para desenvolver conhecimento nos assuntos que não domina. Além disso, há nichos de mercado nos quais uma ou outra competência é mais valorizada. Há espaço para todo mundo.

tradutor e intérprete

Curso de graduação ou curso livre?

Há nítidas vantagens e desvantagens em cada uma das opções. Acho mais prático relacionar os prós e os contras de cada alternativa. Vale lembrar que as opiniões abaixo são fruto de minha experiência pessoal e de relatos de professores, tradutores, intérpretes e alunos. A menos nos casos em que são citadas nominalmente, não falo de nenhuma instituição de ensino em particular.

Cursos de gradução – Vantagens

  1. Formação holística. Os cursos de graduação de Letras têm por natureza o objetivo de formar profissionais que possuam noções, teóricas e práticas, de Gramática, Linguística, Literatura, metodologias de ensino de língua portuguesa e de língua estrangeira, entre várias outras matérias da grade curricular.
  2. Capilaridade. Há oferta de cursos de Letras em praticamente todo o território nacional, tanto em escolas públicas quanto privadas. Você não precisa, portanto, se mudar para uma metrópole para estudar tradução.

Cursos de graduação – Desvantagens

  1. Pouca ênfase na prática de tradução simultânea. Muitas faculdades não têm nem mesmo cabines para simular as condições de trabalho. Algumas fazem adaptações em laboratórios para o ensino de idiomas.
  2. Falta de exigência de conhecimento da língua estrangeira. Em geral, o aluno pode ser aprovado no vestibular com pouco ou quase nenhum conhecimento do idioma estrangeiro. Como consequência, perde-se tempo valioso do curso no ensino de questões elementares da língua estrangeira.

Cursos livres – Vantagens

  1. Ênfase na prática. Na maioria dos cursos, o enfoque é nas questões práticas e no mercado de trabalho.
  2. Tempo. A duração mais curta pode ser benéfica para alguns alunos que não dispõem de muito tempo, principalmente aqueles que já tem formação universitária ou para os que já atuam no mercado.

Cursos livres – Desvantagens

  1. Baixa oferta. Pelo fato de haver pouca demanda em cidades pequenas e médias, os cursos livres se concentram nos principais centros urbanos.
  2. Mais para “iniciados”. Por não tratar de questões elementares devido à curta duração de seus programas, os cursos livres são mais indicados para quem já tem formação universitária – em Letras ou qualquer outra área – ou para quem já atua no mercado e procura se aperfeiçoar.

Qual curso você recomenda?

Nenhum. Não posso recomendar um curso para uma pessoa que não conheço, não sei qual é o nível de conhecimento da língua materna nem da língua estrangeira, desconheço a cidade onde mora, idade, interesses, formação acadêmica e profissional etc. Seria leviandade minha dar qualquer recomendação sem possuir essas informações. Também não adianta enviar e-mail para mim com todos esses dados porque não tenho tempo, infelizmente, para prestar esse serviço de consultoria. Sinto muito, mas se as informações contidas aqui não tiverem serventia, não há muito mais que eu possa fazer.

Isto posto, mencionei no início do artigo que fui aluno e professor do Curso de Formação de Tradutores e Intérpretes, oferecido pela Associação Alumni em São Paulo. Esse é, portanto, o único curso para o qual coloco o link aqui. A razão é bem simples: é o único programa de formação que conheço, tanto como aluno quanto como professor, e, por essa razão, sinto-me à vontade para mencionar. Repito: funcionou para mim na minha jornada para me tornar tradutor e intérprete, mas não sei se vai atender às suas necessidades. Não me sinto à vontade para indicar nem recomendar cursos em que não fui aluno ou professor, em especial os oferecidos em cidades em que não morei.

Como ser tradutor juramentado?

O nome oficial é TPIC – Tradutor público e intérprete comercial, mas, informalmente, até mesmo os profissionais dizem “tradutor juramentado”. Para se tornar um TPIC, você precisa ter cidadania brasileira, morar no Brasil e ser aprovado em exame realizado pela junta comercial do estado em que você reside. Também não é necessário ter curso universitário para fazer a prova. O maior problema é o intervalo de tempo entre um exame e outro, que pode variar de alguns anos a mais de uma década. Se quiser saber mais sobre o assunto, recomendo a leitura do post “Tradutor juramentado: tudo o que você precisa saber sobre a profissão“, de Lara D’Onofrio Longo.

Qual é o salário do tradutor e intérprete?

Excetuando-se os casos em que o tradutor e intérprete é funcionário contratado de uma organização, não existe salário. Em sua grande maioria, os profissionais que atuam no Brasil são autônomos e, portanto, têm renda variável. O mesmo vale para quem atua em outras áreas da tradução, como no mercado de legendagem.

Cf. Legendagem: A rotina do profissional das legendas

Cf. Panorama do mercado de legendagem

Preços – Quanto cobrar?

O SINTRA – Sindicato Nacional dos Tadutores traz uma tabela de referência com os valores praticados pelos profissionais que prestam os mais diversos serviços relacionados a tradução e interpretação. Vale lembrar que essa é apenas uma referência porque, na prática, os valores variam para cima ou para baixo, dependendo de uma série de fatores. Dentre essas variáveis, destacam-se a urgência quanto ao prazo de entrega, o grau de experiência do profissional, o nível de dificuldade e/ou especificidade do texto, a importância do documento a ser traduzido, entre várias outras.

Como conseguir trabalho de tradutor e intérprete?

Sério que você vai me perguntar isso? 😉 Não há, infelizmente, uma cartilha ou uma receitinha de bolo que esclareça essas dúvidas. Como um jovem recém-formado em arquitetura se torna um arquiteto de renome? Ou como uma médica em início de carreira consegue o primeiro paciente? Não há um passo a passo infalível. Por que seria diferente para quem deseja ser tradutor e intérprete?

Há, no entanto, elementos comuns na história de qualquer profissional bem sucedido. Praticamente sem exceções, encontramos uma dedicação quase obsessiva, a paixão pelo que se faz, além de disciplina e empenho constantes. Acrescente-se uma boa dose de talento e uma pitadinha de sorte. Leve a receita ao forno por alguns anos e voilá!

Cf. Como arranjar trabalho (de tradução simultânea)?

tradutor e intérprete

Associações

Segue relação contendo as principais organizações profissionais. Todas elas, de uma forma ou de outra, trazem informações úteis para quem se interessa por tradução e interpretação. A lista é apresentada em ordem alfabética.

No Brasil:

  • ABRATES – Associação Brasileira de Tradutores e Intérpretes
  • APIC – Associação Profissional de Intérpretes de Conferência
  • SINTRA – Sindicato Nacional de Tradutores

No exterior:

  • AIIC – Association Internationale des Interprètes de Conférence
  • ATA – American Translators Association
  • IAPTI – The International Association of Professional Translators and Interpreters
  • TAALS – The American Association of Language Specialists

Referências para o tradutor e intérprete

Já escrevi inúmeros textos sobre tradução e tradução simultânea nas páginas do Tecla SAP. Segue relação com alguns relacionados à formação de tradutores e intérpretes e ao mercado de trabalho.

Conclusões

Espero que esse longo artigo tenha cumprido o seu papel, ou seja, o de esclarecer dúvidas sobre a profissão do tradutor e intérprete. Espero ter desconstruído alguns mitos sobre a atividade e, ao mesmo tempo, ter oferecido subsídios para você tomar a decisão mais acertada sobre a sua carreira.

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Cf. Tradução Simultânea

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