Emily Dickinson: I’ve seen a Dying Eye

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Emily Dickinson

I’ve seen a Dying Eye
Run around and round a Room
In search of Something – as it seemed –
Then Cloudier become –
And then – obscure with Fog –
olhoAnd then – he soldered down
Without disclosing what it be
‘Twere blessed to have seen – 

Já vi um Olho ao Morrer
Dar voltas em torno de um Quarto –
Em busca de Algo – parece –
E então ficar mais Nublado –
E então – obscuro de Névoa –
E logo – caiu, soldado
Sem revelar o que era
Que o teria abençoado

Comentários de Tradução

I’ve seen a Dying Eye
Já vi um Olho ao Morrer

And then – he soldered down
E logo cair, soldado

A tradução procurou aproveitar os dois sentidos de “soldado” – substantivo e adjetivo (particípio passado). Em português o olho que cai, firmemente cerrado, como que fechado com solda – como no original, soldered – ganha um segundo sentido: é também o “soldado” que cai, dever cumprido.

O poema me inspirou essa breve reflexão:

Poesia, essa enxerida
Tudo vê, tudo escuta
Tudo cria
Espreita em todo lugar
No leito do moribundo
Ela vai fundo –
Enxerga, implacável
O fim miserável
O olho nublado
Aflito, angustiado
Se agarrando à vida –
Vai lá a danada,
Penetra, espia
Mete o dedo na ferida
E vem correndo me mostrar.

Referência: “Loucas Noites / Wild Nights – 55 Poemas de Emily Dickinson“, Tradução e Comentários de Isa Mara Lando, Disal Editora, 2010. Leia a resenha.