Isa Mara Lando – Entrevista com a autora do VocabuLando

Tempo de leitura: 15 minutos

Isa Mara Lando by Ulisses Wehby de Carvalho

Isa Mara Lando

Isa Mara Lando

Isa Mara Lando – Professora

Como professora de inglês, quais foram seus maiores desafios?

Motivar alunos desmotivados, que só estão na aula porque o pai obriga, não querem estudar, forçar o cérebro. Mas o inglês nos proporciona mil maneiras de motivá-los, com a música, o cinema e as conversas sobre assuntos do interesse de cada um.

O inglês esteve presente na sua vida desde muito cedo e você mesmo diz que teve muita sorte quanto a isso. No entanto, sabemos que a maioria esmagadora das crianças vive uma realidade diferente. Você acredita ser possível que um aluno que comece a estudar um idioma estrangeiro com 14, 15 anos possa obter fluência próxima a de um nativo?

Sim, nessa idade o cérebro ainda é bem plástico, aprende fácil, e a glote também ainda é maleável, consegue pronunciar outros sons. Se tiver bons professores, e for bem motivado, estudar sozinho com a internet, o cinema, as músicas etc., é possível. É bom fazer intercâmbio, morar fora do Brasil uma temporada, ou pelo menos, ter amigos de língua inglesa no Brasil, para praticar. Conheço vários jovens que fizeram intercâmbio e foi excelente, não só para o inglês. Se não for possível passar uma temporada fora, programe isso para o seu futuro. Faça pelo menos uma excursão à Disneyworld, já vale.

Você conta que aos doze anos teve uma professora de inglês que lhe influenciou muito. Até que ponto um professor pode afetar (positiva ou negativamente) a vida do aluno?

Uau, isso é tudo! O bom professor inspira os alunos a gostarem daquela matéria, entrarem naquele jardim, como diz Gibran Khalil Gibran em “O Profeta”, na parte sobre o Ensino, leia!

Eu tenho a maior gratidão do mundo pela minha primeira professora, Dona Silvia Galvão, a quem dediquei o VocabuLando. Aliás quando comecei a lecionar na Cultura Inglesa escrevi uma longa carta de agradecimento! Ela amou. Ela ensinava inglês com entusiasmo, dava músicas quando ninguém ainda fazia isso. Era uma aula alegre e dinâmica, totalmente diferente das de outras matérias na escola onde estudei, o Caetano de Campos, em São Paulo, uma escola bem tradicional. A Dona Silvia nos falava sobre os Estados Unidos, contava casos de lá, transmitia a cultura e não só a língua. Ela nos ensinou a gostar das qualidades positivas do povo americano.

Por outro lado, meus colegas do período da manhã que tiveram o azar de pegar um outro professor, que era péssimo, até hoje sofrem porque não sabem inglês e, sobretudo, detestam! Têm “trauma” de inglês, como muitos alunos já me disseram. Imagine quanto prejuízo para a vida profissional e pessoal de todos eles. Foram muitas turmas de 40 alunos, várias gerações de jovens prejudicados para o resto da vida! Isso por causa de um mau professor, que estava na profissão errada. Essas pessoas nunca deveriam seguir o magistério. O mal que elas causam é tremendo!

Já da minha parte, eu me alegro de dizer que várias ex-alunas já me escreveram dizendo que hoje são professoras de inglês graças às minhas aulas, que eram alegres, musicais, espertas e não rotineiras. Elas me lembraram que às vezes eu dava aula no gramado da Cultura ou saía na rua com eles. Me divertia nas aulas. Ignorava muitos materiais que a escola mandava dar, e dava outros que trazia de casa e inventava sozinha. Funcionou!

Como foi sua experiência de preparar alunos para os exames de Proficiency?

Os alunos sofrem muita pressão. A maioria dava uma importância enorme ao exame de Proficiency, como se fosse um vestibular. Minha função, além de ensinar inglês, era motivar muito e reforçar a auto-confiança deles.

Eu trabalhava constantemente com a auto-estima e auto-confiança deles, que às vezes tinha sido destruída por professores anteriores. Eu ficava o tempo todo garantindo que eles iam passar. Às vezes o professor anterior tinha feito o contrário – ameaçava o tempo todo que eles não iam passar! Isso acaba com qualquer aluno. Como alguém pode aprender alguma coisa já tendo, de antemão, essa barreira? Para aprender é preciso estar relaxado, alegre, confiante, e não em clima de terror.

O alicerce, para mim, é a leitura, não tanto de livros, mas sobretudo de artigos de jornal e revista. Eu dava muita leitura de materiais diversos. Em cada aula, cada um tinha que resumir para o colega do lado suas leituras feitas em casa durante a semana. Esse é o segredo: resumos de revistas. Ler e resumir artigos interessantes da Time, Newsweek, ou outras fontes de notícias, pesquisando o vocabulário. Se você fizer isso todo dia, ou pelo menos umas 3 vezes por semana, seu inglês dará um salto enorme. Modéstia à parte, a maioria passava no exame.

Hoje, com a internet, tudo é mais fácil, há milhares de jornais online, inclusive em áudio e vídeo. Aconselho vivamente a quem quiser estudar de verdade que tenha uma bela banda larga com excelente velocidade, para assistir vídeos e pesquisar com conforto. Tenha também um bom computador, de preferência um laptop, pois é potente, pequeno e tem tela LCD. Aquela tela tipo monitor de TV faz muito mal para a vista.

O que a função de professora ensinou a você?

Em primeiro lugar, aprendi muito inglês estudando os materiais para Proficiency, para poder ensinar aos alunos. Também aprendi a ter mais paciência e a respeitar as diferenças individuais. Fiz ótimas amizades com os colegas. É legal ser professor, a gente convive com um ambiente de gente jovem, alegre, animada. O tradutor, ao contrário, trabalha normalmente sozinho.


Vocabulário

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Isa Mara Lando – Tradutora

E como tradutora, o que você mais aprendeu?

Aprendo muitíssimo com os livros que traduzo. Atualmente não sou mais uma grande leitora, como já fui na adolescência e juventude. Tenho me dedicado muito a traduzir e a escrever meus próprios livros, de modo que não tenho mais tanta disponibilidade de tempo para ler, como tinha antigamente. Assim, é ótimo ser obrigada a ler livros variados de autores de primeiro time, que eu jamais leria de outra forma.

Por exemplo, a tetralogia Mar da Fertilidade, de Yukio Mishima – quatro livros que passei um ano inteiro traduzindo. São uma maravilha, e eu jamais leria espontaneamente. Alguns exemplos recentes: Uma verdade inconveniente (Al Gore) – Einstein: Sua vida, seu universo – Carta a uma Nação Cristã. São livros que enriqueceram a minha alma e o meu intelecto. Também curto muito os livros infantis das séries Judy Moody e Clarice Bean, que tenho traduzido. Eles me inspiram muito a escrever meus próprios livros infantis.

Você escolhe os livros que traduz, ou são impostos pelas editoras?

Entre os trabalhos que me são oferecidos, claro que procuro traduzir os que me interessam mais, como os livros citados acima, ou as matérias da revista National Geographic, que são bárbaras. Mas como preciso pagar as contas, nem sempre isso é possível, e acabo fazendo textos mais comerciais também, como, por exemplo, para revistas institucionais, sites de empresas etc. Faz parte!…

Você continua estudando?

Claro, todos os dias aprendo inglês nas minhas leituras. Também tenho dado uma refrescada no alemão e no hebraico, para não esquecer. Procuro também me aperfeiçoar sempre na tradução, fazendo um esforço honesto para compreender bem o original e verter em bom português. E tudo que aprendo procuro não deixar se perder. Trato de incluir de alguma maneira no VocabuLando, ou no VocabuLando Workbook e nos demais livros de exercícios que estou escrevendo.

O que é necessário para ser um bom professor?

Acho muito importante assistir a muitas aulas, fazer cursos de tudo quanto é coisa – sobretudo idiomas, mas também história geral, história da arte, um instrumento musical, história da música… ou mesmo culinária, escalada, fabricar pipas, o que for! Tudo isso vai ajudar a você dar aulas melhores. O que houver de bom nos professores você imita, e o que houver de ruim, você evita fazer igual.

E para ser um bom tradutor?

É preciso ter muita cultura geral, se atualizar diariamente, ler todos os dias em inglês e em português. Ser uma pessoa “well rounded”, conhecedora de muitas áreas. Viaje, faça cursos de línguas. A meu ver um tradutor tem que ter conhecimentos, pelo menos básicos, de três ou quatro línguas. Um tradutor ou professor tem que ser uma pessoa de cultura, com experiência em outros países, outras culturas. É preciso adquirir uma sofisticação e uma maturidade mental, intelectual, que só as viagens proporcionam.

Em geral, aqueles que sonham em ser professores têm pesadelos quanto à primeira aula. Como foi sua primeira experiência em frente a um grupo de alunos?

Também fiquei muito nervosa antes de ir, mas eu estava bem preparada pelo curso de formação de professores da Cultura. É como entrar na piscina – no primeiro momento a água é fria, mas logo fica gostosa. Sempre tem algumas alunas mais boazinhas, atentas e colaborativas, dessas que sentam na frente, e você tem que se fixar nelas, ir batendo bola com elas, e não se perturbar por quem está conversando, te ignorando ou te hostilizando. Mas lecionei dez anos na Cultura Inglesa, onde os alunos eram de classe média alta e muito educados, então quase só tive boas experiências.

Atualmente você ministra cursos e palestras para profissionais de tradução. Como é ensinar para um público que já tem um nível maior de conhecimentos da língua inglesa?

É muito bom. Nos meus cursos vêm profissionais, pessoas de ótimo nível, que dão excelentes sugestões para os exercícios e traduções que fazemos em classe. Sempre aproveito para aperfeiçoar meus materiais. Também vêm pessoas da área de revisão e preparação, que sabem português melhor que eu. Eu sempre aprendo nessas aulas, com pessoas que têm muito a contribuir. Mas mesmo os alunos jovens ensinam muito a gente, de outra forma. Eu muitas vezes começo a aula escrevendo na lousa: “Ninguém é tão grande que não possa aprender, nem tão pequeno que não possa ensinar”. Isso é muito legal! Eu não gosto de muita distância entre professor e aluno. Cada pessoa tem a sua vivência e tem muita coisa para dar. Mesmo os erros e as dúvidas dos alunos me esclarecem muito sobre as dificuldades do inglês e contribuem para os meus livros didáticos.

Isa Mara Lando – Autora

Depois do VocabuLando e do VocabuLando Workbook, quais são seus próximos projetos?

Estou preparando um livrinho para auto-publicação – traduções comentadas de poemas de Emily Dickinson. Futuramente virá outro com dois contos e dois poemas Edgar Allan Poe. Digamos que, como tradutora, isso é o máximo do filé mignon… 😉 Também estou preparando outros livros de exercícios de tradução. Demora bastante para elaborar porque é preciso testar muito bem em classe.

Você dá aulas particulares?

Sim, tenho dado oficinas de tradução por e-mail, com bons resultados. Dou textos para traduzir e exercícios para dificuldades específicas, o aluno me manda e eu corrijo minuciosamente. Daí a pessoa melhora o texto e me manda de novo, e nesse bate-bola o nível da tradução sobe muito.

De que maneira os professores de inglês podem motivar seus alunos?

Música, música, música! Como eu disse, minha primeira professora já nos introduziu no belíssimo cancioneiro americano, com Gershwin, Cole Porter, os musicais da Broadway etc. Depois vieram os Beatles, Pink Floyd, The Who… – a minha geração teve essa sorte, o inglês entrou na veia com esses músicos maravilhosos que fizeram a nossa cabeça.

Ticking away, the moments that make up a dull day…
Waiting for someone or something to show you the way…

Que aluno consegue resistir a isso? Veja o vídeo no YouTube, já tem mais de 5 milhões de acessos… E se o aluno não entender 100% da letra, não faz mal. O principal é deixar o inglês penetrar na alma, na parte emocional.

Isa, qual profissão você prefere, tradutora ou professora? E qual delas acha melhor seguir?

Cada uma tem suas vantagens e desvantagens. Tradução é uma profissão adequada para pessoas mais velhas, creio, pois exige uma maturidade intelectual que só se adquire com muitos anos de estudo, viagens, leituras etc. Também exige ficar sozinho em casa muitas horas, com muita concentração, e isso não é para todos. Para uma pessoa jovem, é muito bom trabalhar numa escola. É divertido e sempre se aprende muito no contato com os alunos e os colegas.

Do ponto de vista prático, o tradutor tem a grande vantagem de poder fazer tele-trabalho. A gente não precisa se desgastar no trânsito e, naturalmente, é uma profissão ótima para a mulher que quer ficar em casa com os filhos e ganhar algum dinheiro. Por outro lado, é uma profissão freelancer, poucos trabalham fixo em alguma empresa ou agência de traduções. Ou seja, a renda é instável, não há segurança financeira alguma, nem férias, 13º, descanso semanal remunerado… nada disso. É um grande problema, e é preciso levar isso em conta cuidadosamente ao planejar a carreira profissional a longo prazo.

Ser professor já possibilita você entrar como funcionário fixo em alguma escola e ter uma segurança financeira, ainda que seja mínima. Acho isso muito importante! Melhor ainda é fazer licenciatura, mestrado e, se possível, doutorado, e lecionar numa faculdade.

Portanto meu conselho é unir as duas atividades, se possível. Não esqueça também que com um ótimo inglês você pode trabalhar com turismo, hotelaria, ou ser secretária bilíngue e ganhar muito bem.

Grande abraço e bons estudos!

Speak up! We’re listening…

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A entrevistada

Isa Mara Lando é autora de “VocabuLando: Vocabulário Prático Inglês – Português“, Disal Editora, 2006 e “VocabuLando Workbook: Exercícios de Tradução e Versão: Inglês-Português / Português-Inglês”, Disal Editora, 2008. Isa Mara Lando é também uma renomada tradutora e professora. E-mail: [email protected]