Quem tem medo de feedback?

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Adriana Pereira Santos

Quem tem medo de feedback?

Como você se sente ao saber que vai receber feedback do seu professor, do seu chefe ou dos seus alunos? Conheço muitas pessoas que tremem nas bases! Talvez porque a experiência revele alguma fragilidade nas nossas características profissionais ou acadêmicas que não gostaríamos de ver expostas. E, justamente por isso, alguns se sentem frustrados e magoados após a avaliação. A boa notícia é que não precisa ser assim! Na verdade, este pode e deve ser um momento que apresente oportunidades de crescimento, tanto para o avaliador quanto para o avaliado.

Mas o que é feedback mesmo?

medo de feedback

Dentre as traduções apresentadas no link acima, temos “retorno” e “opinião” (não deixe de ver as outras possibilidades!). Até mesmo profissionais altamente qualificados por vezes se sentem extremamente desconfortáveis quando são convidados para uma reunião na qual o seu trabalho receberá um feedback. Existe um aspecto psicológico muito forte por trás disso, pois na maioria das vezes temos dificuldades em lidar com comentários ou observações sobre aquilo que fazemos. No entanto, se bem apresentado e bem interpretado, o feedback é uma chave de ouro que abre portas para o aprimoramento.

Assim como os professores devem dar o seu parecer sobre o desempenho do estudante, também é importante que ele receba este retorno dos seus alunos. Hoje em dia, esta situação é cada vez mais comum. Mas o “x” da questão é: como fazer com que o feedback seja o mais produtivo possível? Para isso, precisamos pensar em alguns aspectos:

1. Objetivo

Um feedback não serve para crucificar quem o recebe! Este é o momento de analisar o cenário, procedimentos e caminhos a serem percorridos. A indicação do que não se encaixa nesses parâmetros serve para que ações sejam tomadas para aumentar a produtividade.

Dois exemplos práticos:

  1. O professor lembra ao estudante que a sua frequência está abaixo do esperado. Isso significa que o aluno deixa de ter contato com conteúdo relevante para desenvolver suas habilidades, e indica o caminho para solucionar este aspecto problemático do seu aprendizado. Com orientação adequada, este aluno pode utilizar estratégias que irão minimizar o impacto das suas ausências.
  2. O aluno comunica ao professor que gostaria de ver determinados temas abordados em aula. Este pode ser o caminho para o desenvolvimento de projetos extra-classe com a orientação e supervisão do professor. Por exemplo, a produção de um vídeo ou de um blog, o que levará o aluno a aplicar suas habilidades comunicativas dentro de um contexto relevante, e com o qual ele consegue se identificar.

Nos dois casos, o feedback é apresentado como ponto de partida para um crescimento, e não como uma repreensão ao comportamento do indivíduo.

2. Resposta emocional

A  maneira como um comentário é apresentado é determinante para o sucesso. É importante deixar claro que este retorno não é uma contabilidade das falhas e deficiências do outro. Quem dá o feedback não deveria nunca se esquecer de destacar os aspectos positivos também. Ou seja, elogiar também é parte indispensável do processo. Se possível, a maneira com que o feedback é dado deve se moldar ao perfil de quem está sendo avaliado. As pessoas têm diferentes características: umas são competitivas, outras são introvertidas, algumas gostam de estar sob os holofotes… Se o feedback apresentar a oportunidade da melhoria num cenário que respeite e valorize essas características, certamente o resultado será muito mais produtivo! Quem apresenta a crítica deve ter sensibilidade para pesar os elementos, tais como o momento e o local em que suas opiniões serão apresentadas, as mudanças que devem ser sugeridas e, acima de tudo, quais elementos servirão de estímulo para que o avaliado aprimore suas habilidades.

3. Ações

Após o feedback, é importante que se definam as ações e prazos para implementar as melhorias, seja você aluno ou professor. Se é você quem está fazendo os comentários, seja objetivo. Relate fatos e aponte direções que podem ser seguidas pelo avaliado. Negocie com o avaliado prazos para implementar estas ações. Tenha em mente que estas ações podem requerer algum sacrifício, e esteja disposto a se esforçar. Repito: isso se aplica a professores dando feedback aos alunos e vice-versa!

Sem as ações, o feedback perde o seu propósito. Criticou? Sugira alternativas! Ouviu as críticas? Pense nas mudanças a serem feitas! Do contrário, o que vai restar é apenas um desconforto entre as partes!

4. Predisposição para ouvir

De nada adianta um feedback cuidadoso, amplo e significativo se a parte avaliada não estiver predisposta a ouvir. Encarar o feedback como uma crítica pessoal faz com que o avaliado rejeite os argumentos propostos e se sinta particularmente injustiçado. A postura a ser adotada é justamente a oposta! Tanto alunos como professores devem encarar este momento como uma possibilidade de evolução, levando em consideração os três pontos acima.

Confesso que também já fiquei muito apreensiva ao saber que receberia feedback (tanto como aluna quanto como professora), mas deixei de encará-lo como um dedo apontado para as minhas deficiências. Pelo contrário, eu o vejo como uma oportunidade de melhoria, uma “consultoria” sobre áreas nas quais tenho a oportunidade de expandir minhas habilidades.

Sem medo de feedback e sem medo de ser feliz!

Agora que você já sabe que o feedback não é nenhum bicho-papão, seja você professor ou aluno, dando ou recebendo o retorno, aproveite essa experiência ao máximo. Utilize-o como ferramenta de desenvolvimento – ouça com atenção, pense e discuta as alternativas para otimizar o seu desempenho, planeje suas ações e prazos. Boa sorte e bom trabalho!

Cf. Quem não gosta de feedback?

Cf. Feedback: Nunca desisti dos meus sonhos!

Cf. Sabotagem: não deixe que ela prejudique seu aprendizado de inglês

Speak up! We’re listening…

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Pela educação

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Referência

Se você gostou desta dica, que é a #100, vai adorar as outras 99 em Top 100 – As cem melhores dicas do Tecla SAP de Ulisses Wehby de Carvalho, ©Tecla SAP, 2014.