Autonomia não é só para autodidatas

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Adriana Pereira Santos

Autonomia

“Fiz vários cursos, mas não saio do básico…”

Você já se perguntou por que tantas pessoas começam a estudar um idioma estrangeiro e, em algum ponto do caminho, simplesmente param? Quantas explicações, justificativas, motivos, razões e até desculpas esfarrapadas você já ouviu (ou deu) para interromper os estudos?

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O ciclo é quase sempre o mesmo. No início, o aluno está animado e confiante, numa verdadeira lua de mel com a língua estrangeira. Mas também é comum que ele se sinta ansioso, inseguro e desconfortável. E é justamente no momento em que essas últimas sensações se sobrepõem às primeiras que muitas pessoas desistem.

Sejamos realistas. Aprender outro idioma não é fácil. A maioria dos alunos descobre que falar uma língua estrangeira requer muito mais esforço e persistência do que estão realmente dispostos a dar. Demanda tempo e, na maioria das vezes, bastante dinheiro. O fato de ir às aulas não implica, necessariamente, que o aluno está comprometido a aprender. Num cenário em que a língua estrangeira só é falada dentro da sala de aula, é bastante comum que ele se preocupe principalmente em conseguir ser aprovado – as notas são um “prêmio” ou “castigo” que refletirão o seu desempenho naquele ambiente quase sempre controlado pelo professor.

No texto “Como melhorar o listening? A dica que você nunca ouviu…“, você viu que as expectativas irreais são, em grande parte, responsáveis pelas maiores frustrações. Em certa medida, o mesmo princípio pode ser aplicado às desistências também.

Existe professor perfeito?

autonomiaSe você ainda acredita na velha fórmula “professor ensina, aluno aprende”, sinto muito, mas o seu estudo é deficiente. Está na hora de aprender a andar com as próprias pernas! Estudar é muito mais do que ler as páginas do livro, fazer os exercícios e ganhar um well done! na prova.

Cf. 10 jeitos de dizer “Parabéns!” em inglês. Só não se esqueça do #3!

Um bom ponto de partida para a reflexão sobre esse assunto é o relato seguinte:

Em busca do professor perfeito, um aluno procurava as seguintes qualidades:

  • alguém que soubesse exatamente o que ele queria aprender;
  • que entendesse seu jeito de ser;
  • que compreendesse seu ritmo de aprendizado;
  • que fosse capaz o suficiente;
  • que não o pressionasse além de seus limites;
  • que não parasse de lhe ensinar simplesmente porque acabou o período das aulas;
  • que estivesse sempre disponível no horário de que ele dispusesse;
  • que se interessasse pelo tema tanto quanto ele.

Maravilha, não? Acontece que o tutor estava bem mais perto do que ele poderia imaginar. Quem melhor para guiá-lo no aprendizado senão ele mesmo? E isso, meus caros amigos, pode ser feito. A palavra-chave é autonomia.

Cf. Os 10 erros mais comuns de quem estuda inglês

O que é autonomia? Preciso ser autodidata?

O dicionário define autônomo como o indivíduo que é capaz de tomar uma decisão não forçada baseada nas informações disponíveis. Trocando em miúdos: você não vai fazer algo simplesmente porque seu professor mandou, mas porque acredita que aquilo vai resultar em um progresso para o seu estudo. O que não significa afirmar que apenas o aluno autodidata pode ser autônomo. Claro que não! O autodidada já é, em essência, autônomo – ele não tem vínculo com escola nem com professor, não tem obrigação de ir para as aulas, não tem ninguém dando instruções sobre o que deve ou não fazer. Tudo o que faz é pensando no próprio progresso ou, ainda melhor, porque gosta! Mas se você estuda em uma escola, pode – e deve – conquistar a autonomia dentro e fora da sala de aula! Sabemos que, invariavelmente, os alunos de turma com os melhores desempenhos são justamente aqueles com maior autonomia.

Como desenvolver a autonomia?

Nada do que você leia poderá te transformar num estudante autônomo, se você não estiver realmente disposto a dedicar tempo e esforço aos seus estudos. O primeiro passo é avaliar a sua postura em relação aos seguintes pontos:

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1. Conscientização da necessidade, motivação e importância do estudo

Esclareça para si mesmo os seguintes pontos:

  1. Por que eu preciso aprender isto?
  2. O que me motiva a estudar?
  3. Que benefício este aprendizado me trará?

Na maioria das vezes, o aluno autônomo é guiado, em primeiro lugar, pelo desejo de aprender. Sua motivação é um crescimento pessoal, e os benefícios, uma consequência. Mas o cenário profissional, uma viagem próxima, a necessidade de interação com estrangeiros também podem ser importantes pontos de partida. Uma promoção, um curso no exterior ou as férias dos sonhos podem fornecer a motivação de que você precisa. A ascensão profissional é um dos inúmeros benefícios possíveis.

2. Investigação de estratégias para aprender

autonomiaÉ importante que você faça atividades dos mais diversos tipos para descobrir o que funciona melhor para você. Aceite as sugestões do professor, mas não se limite a elas. Se você tem dificuldade em lembrar vocabulário, por exemplo, pode recorrer a jogos e dicionários visuais, facilmente encontrados na Internet. Converse com colegas e descubra os métodos que eles usam. O aluno autônomo procura outras fontes de aprendizado e busca formas de desenvolver suas habilidades. Em essência, o aluno autônomo é um investigador curioso sempre disposto a experimentar.

Abrir o dicionário regularmente é apenas um dos muitos hábitos salutares que precisam ser desenvolvidos.

Cf. OneLook: O Google dos dicionários

3. Atitude

Toda ação gera uma reação. Portanto, estabeleça metas: quais as atividades que você vai praticar (ouvir música e aprender a cantá-las, ler artigos em inglês, conversar com um falante nativo…) e com que frequência irá realizá-las. Se você dispuser de meios de avaliar seu progresso, melhor ainda!

Cf. Textos Mastigados

4. Arrisque-se

Não dá pra desenvolver a autonomia sem se arriscar. É natural ter receio de se expor e de errar. Mas, mesmo que o resultado seja falho, você terá tido uma oportunidade de aprender. E, provavelmente, não cometerá aquele erro de novo! Lembre-se: não existe autonomia sem iniciativa.

A hora da mudança é agora!

“I am always ready to learn, although I do not always like being taught.” – Winston Churchill
[Estou sempre disposto a aprender, mas nem sempre a ser ensinado.]

Valorize o seu investimento de tempo e dinheiro. Você é, em última análise, o principal beneficiário dos seus estudos. O seu professor não vai estar com você em todas as situações em que você precisar falar inglês. Mãos à obra e bons estudos!

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Cf. Quem tem medo de feedback?

Cf. 10 dicas infalíveis para aprender inglês

Cf. Sabotagem: não deixe que ela prejudique seu aprendizado de inglês

Speak up! We’re listening…

Gostou das dicas sobre autonomia? Nós do Tecla SAP gostaríamos de saber se as informações foram úteis para você aperfeiçoar seu inglês. Envie, por gentileza, sua opinião sobre o texto na seção de comentários. Muito obrigado pelo interesse.

Referência

Top 100 – As cem melhores dicas do Tecla SAP, de Ulisses Wehby de Carvalho, ©Tecla SAP, 2014.