Grammar Nazi? Quem é? O que faz? Onde vive o Grammar Nazi?

Tempo de leitura: 6 minutos

Grammar Nazi by Ulisses Wehby de Carvalho

Grammar Nazi

Gloria Kalil, o Código Penal e o Grammar Nazi

grammar nazi

Dos três elementos do subtítulo, talvez Grammar Nazi seja o único que você ainda não conhece, acertei? Me diz uma coisa: você quase tem convulsão quando uma oração é iniciada por pronome oblíquo átono? Então chame a ambulância, porque acabei de fazê-lo! Se você fica de cabelo em pé com “Me diz uma coisa” e usa “Diga-me” em todas as situações, sinto informar que você, conscientemente ou não, apresenta alguns dos sintomas típicos de um Grammar Nazi. Far-lhe-ei o seguinte favor: rogo que interrompa a leitura deste texto imediatamente para que Vossa Senhoria não sofra novos ataques.

A expressão Grammar Nazi é usada em referência àquelas pessoas que detectam e corrigem todo e qualquer erro gramatical, em geral, em publicações na Internet. O Tecla SAP, portanto, não está imune a esse tipo de chateação na seção de comentários. É claro que as mensagens que contêm bobagens de qualquer natureza – e não são poucas! – nem chegam a ser aprovadas. A intenção é tão somente poupar os olhos dos queridos frequentadores do blog. Sei que, embora infinita, não é incansável a beleza dos leitores do Tecla SAP… 😉

Alguns desses comentários, no entanto, passarão a ser comentados em posts porque, apesar de serem desprovidos de fundamentação, podem propiciar uma oportunidade para tratarmos de algum desvio importante. Outro dia, por exemplo, uma pessoa escreveu um comentário dizendo em um dos posts da seção “Troca a placa!” que o erro já começava no título. Segundo esse internauta, o “correto” seria “Troque a placa!” e não, segundo ele, “Troca a placa!”. Decidi aprovar o comentário e responder dizendo que “gramatiquice pentelha” não tinha vez no Tecla SAP. O cidadão então me manda a conjugação do verbo “trocar” no imperativo, tentando comprovar a sua tese. Deduzo que ele estava pensando que eu não sabia conjugar o verbo no imperativo. Seria isso?

Para que não restem dúvidas, na norma culta, eu teria optado por “Troque a placa”. A seção “Troca a placa!”, entretanto, não tem a seriedade de um texto acadêmico nem a importância de uma petição judicial. Optei, portanto, pela estrutura informal, muito mais comum e que é usada com maior frequência pelas pessoas de todas as classes sociais.

O que o Grammar Nazi não entende é que não é exclusivamente o domínio da norma culta que nos prepara para nos comunicarmos com o mundo ao nosso redor. Faz-se igualmente importante ter o domínio de outras variedades linguísticas também. Usar bem o idioma pressupõe saber escolher que variedade empregar dependendo da situação social em que nos encontramos. No entanto, o Grammar Nazi infelizmente trata a norma culta, também chamada de norma padrão, como se fosse um Código Penal, rígido, soberano e implacável. Não descobriu ainda que os preceitos que ditam o uso da língua estão mais para um manual de uso e estilo, altamente adaptável à situação social em que nos encontramos. Pena.

Muitas vezes, esse comportamento esconde um preconceito linguístico dissimulado sob a bandeira da boa educação e dos bons costumes. O mais engraçado é que esse tipo de pessoa é implacável para apontar inadequações comuns em classes sociais inferiores à sua porque os seus próprios erros não são detectados ou por ignorância ou por serem socialmente aceitos, no seu grupo social, é claro. A imagem que me vem à mente é a de um edifício de 20 andares em que os moradores de todos os andares, principalmente os que estão nos pisos mais altos, têm a certeza absoluta de que moram na cobertura. Só enxergam o que acontece embaixo e vomitam regras seguindo a lei da gravidade.

Grammar Nazi ainda não descobriu que estamos todos em um condomínio horizontal, em que há salão de festas, quadra de tênis, piscina, portaria, playground, churrasqueira etc. Usamos a língua de acordo com o ambiente em que estamos, assim como escolhemos os trajes que usamos. Que cor de gravata combina com terno preto? Se for para jogar tênis, a resposta é “nenhuma”. Se for para ir a uma festa, é melhor perguntar para a Gloria Kalil.

gloria kalil

Em suma, Grammar Nazi é aquela pessoa que vai a um churrasco na casa de um amigo vestindo smoking e ainda por cima fica enchendo o saco de quem está de bermuda e camiseta. Assim como os trajes formais não são adequados para todas as ocasiões, o mesmo se aplica ao padrão formal da língua. Tudo tem hora e vez.


Gramática

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Cf. DRESS CODE: qual é o significado e a tradução da expressão?

Cf. Aeroporto: frases prontas e palavras úteis em inglês (com tradução)

Cf. Skype: os 7 erros mais comuns de inglês no Skype

Speak up! We’re listening…

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Referência

Top 100 – As cem melhores dicas do Tecla SAP, de Ulisses Wehby de Carvalho, ©Tecla SAP, 2014.

Importante

Gloria Kalil é jornalista e consultora de moda. É autora de vários livros sobre moda, estilo e etiqueta. Usei a expressão “Código Penal” a fim de ilustrar uma tese. Não se trata de referência ao Código Penal Brasileiro, seus princípios e interpretações.