ALL x EVERYTHING: qual é a diferença entre as duas?

Tempo de leitura: 7 minutos

All x Everything by Michael Jacobs

ALL x EVERYTHING

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Qual é a diferença entre ALL x EVERYTHING?

Uma leitora, agradecida por eu tê-la ajudado a esclarecer uma determinada dúvida, enviou-me gentilmente um e-mail em inglês em que dizia Thank you for all – presumo, pensando na expressão em português “Obrigada por tudo”. Claro que não é preciso ser nenhum expert no assunto para chegar a “tão brilhante” conclusão, nem tampouco comentaria a respeito, se não houvesse um pequeno erro na frase… “Erro?”

Posso até ouvir você perguntando: “Onde está o erro?” Acontece que all não é a palavra adequada para referir-se a “tudo” quando usada sozinha. O ideal seria utilizar a palavra everything. Se a leitora tivesse dito Thank you for everything, eu não teria estranhado e simplesmente teria arquivado a mensagem dela na pasta “Elogios” (que ultimamente anda um pouco magra…). Outras opções seriam: Thank you for all you did; Thanks for all your help.

Mas, por que a palavra all não deve ser usada sozinha? (Uma pausa aqui para eu consultar se devo escrever “por que”, “por quê”, “porque” ou “porquê”. Bem, o meu Manual de Redação e Estilo, de Eduardo Martins, publicado pelo jornal O Estado de São Paulo, afirma que deve ser “por que” mesmo. Então acertei de primeira!)

Por quê?

Aproveitando a deixa, permita-me apresentar-lhe uma pequena tabela que acabei de elaborar para facilitar as minhas consultas quando estou escrevendo em português, evitando assim tantas idas ao manual.

por que

Por que (perguntas diretas/indiretas) = WHY
Por que (situações em que se pode substituir por “pelo/a qual”, “pelos/as quais”) = SO THAT; FOR; WHICH
Porque (explicação ou causa) = BECAUSE
Por quê (quando a expressão encerra o período) = WHY
Porquê (substantivo, equivalente a causa, razão, motivo) = THE REASON WHY; THE REASON; THE MOTIVE

Caramba! Dessa vez “viajei” por outros mares, mesmo. Desculpe-me. Onde estávamos mesmo? Ah, sim! Por que (pronto, já batizei minha tabela) a leitora deveria ter usado a palavra everything em vez de all? Os meus alunos deliram fazendo esse tipo de pergunta, então…. para aqueles que não aceitam um simples: “Porque (a tabela novamente) eu disse e não se fala mais nisso”, vamos lá. Agora, se confia em mim, se quiser ganhar tempo, se acha as explicações entediantes ou, ainda, se sequer se interessa pelos porquês (viu só? Usei a minha tabela de novo!), pule o próximo parágrafo (skip the next paragraph)…

…Ainda está aqui, seu desconfiado? Então vamos lá. Mas quero alertá-lo de que é bem mais fácil e eficaz simplesmente aceitar o fato e pular a explicação em casos similares a esse.

ALL

A palavra all, quando usada sozinha, é um adjetivo (all the windows were open; all day, ou seja, “todas as janelas estavam abertas; o dia todo”).

EVERYTHING

Everything é um pronome. No exemplo que citei, o erro acontece porque (quarta vez) all não está cumprindo a sua função, o seu dever como todos os adjetivos devem fazer, ou seja, não está modificando algo. Em outras palavras, all precisa de algum complemento, um objeto. Estou tentando simplificar ao máximo esta explicação, pois os vários usos de all a tornam uma palavra muito complexa. Só para você ter uma idéia, para mostrar isso o meu dicionário dá nada menos que 21 (vinte e um) sentidos para a mesma.

Observe estes exemplos que vão ajudá-lo a entender mais claramente: Thanks for all your help = Thanks for everything; I love all of her songs = I love everything she sings; All of me, why not take all of me (tudo de mim, por que não leva tudo de mim). Reconhece a letra da música? (E pude novamente usar a minha tabela!) All, nestes casos, é complementada por algo.

Há uma exceção a esta regra? Certamente que há! Afinal, inglês parece ter mais exceções que regras propriamente ditas. (E qualquer semelhança com o português é… semelhança!) Atenção, atenção. A regra é… Quando all for um tipo de expressão adverbial, como in all (em todos), not at all (de nada), once and for all (de uma vez por todas). Pode também ser usada em perguntas, numa forma elíptica (Is that all?), e quando há um pronome antes – como em I want them all (“quero todos”), outra maneira de dizer I want all of them.

E para aquela pessoa educada no sistema americano, sem dúvida irá se lembrar da última linha de “The Pledge of Allegiance” (A Promessa de Fidelidade), que termina com “liberty and justice for all”.

Bem, está mais claro agora? I hope so but I have my doubts (espero que sim, mas tenho lá minhas dúvidas).

Ah, e para você que seguiu meu conselho e achou melhor pular as explicações, solenemente ignorando o último parágrafo, ganhou um bom tempo para ler um gibi ou se dedicar à leitura de um bom livro… em inglês, of course.

Quero aqui deixar bem claro que nada tenho contra alunos que fazem perguntas. É um prazer ajudar. O que sinto é que muitos “questionamentos” podem atravancar o progresso do aprendizado. Para mim, há uma enorme diferença entre perguntar e questionar. Mas você pode dizer: “Isto é coisa do Prof. Michael.” E é mesmo.

all x everything

Conclusão

Para terminar de uma maneira mais leve, acho que todos (everybody ou everyone, e não all) devem ter ouvido a história da origem da palavra “forró”. O que me foi contado, logo que cheguei ao Brasil, é que a palavra “forró” veio do inglês for all, pois era assim que certos gringos estendiam seu convite escrito num cartaz para o baile para todos – americanos, ingleses e brasileiros também. Sempre mantive um pé atrás com esta explicação, meio vaga demais para o meu gosto. Aliás, a expressão que acabei de usar, “com um pé atrás”, se traduz muito bem para to take it with a pinch of salt (levar com uma pitada de sal). Ambas têm a mesma lógica, na minha opinião (ou seja, nenhuma).

Sabemos que “forró” é de origem nordestina, significando “forrobodó” ou “arrasta-pé”, música e dança aparentando o baião, mas com andamento mais acelerado. Fico aliviado com esta explicação, digamos, mais acadêmica, reforçada pelo fato de que no meu Novo Aurélio não há menção da origem (for all, conforme escrito por meus patrícios) tão pitoresca. E jamais quero imaginar aqueles gringos escrevendo seus cartazes com os dizeres For All, quando, talvez, deveriam estar escrevendo For Everybody.


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Speak up! We’re listening…

Gostou das dicas do Prof. Michael Jacobs? Você já conhecia a diferença entre all x everything? E da tabela dos “porquês”? Nós do Tecla SAP gostaríamos de conhecer a sua opinião. Por favor, escreva um comentário para a gente no rodapé da página. Muito obrigado!

Referência

Como melhorar ainda mais o seu inglês, de Michael Jacobs, Editora Campus/Elsevier, 2003.