Vovó e vovô: você confunde os sons das duas palavras?

Tempo de leitura: 6 minutos

Ulisses Wehby de Carvalho

Vovó e vovô: você confunde os sons das duas palavras?

Como o espanhol pode ajudar no estudo de inglês?

Aposto que você não confunde o som de “vovó” com o de “vovô”! Desde que, é claro, você tenha nascido ou, pelo menos, tenha sido alfabetizado em país de língua portuguesa. O mesmo não se aplica aos hispanófonos. Quem tem a língua espanhola como idioma materno e não teve contato com outras línguas só conhece o som fechado da vogal “O”. Em geral, quem fala espanhol ouve o som aberto do “O” em “vovó”, “bola”, “posso” e “mola” como “vovô”, “bôla”, “pôsso” e “môla”. E o reproduz dessa forma. Ou seria dessa fôrma?

A diferença entre “vovó” e “vovô” é, para os lusófonos, gritante. Como alguém pode confundir dois sons tão distintos?

vovó

O fenômeno que ocorre com “vovó” e “vovô” é relativamente simples e muito frequente. Só reproduzimos os sons que fazem parte de nosso repertório fonético. Ao ouvirmos um determinado som, instintivamente o comparamos com o nosso banco de dados fonético para saber como classificá-lo. Não criamos automaticamente categorias novas para sons diferentes porque eles nem mesmo são identificados como diferentes. Esses sons “estranhos” ao nosso idioma materno são colocados em alguma “caixinha” já existente. Adivinhe o que acontece na hora de reproduzir esse som no idioma estrangeiro? É evidente que ele vai sair como aquele som familiar.

Aí você me pergunta: mas o que isso tem a ver com inglês? Muita coisa. Quem nunca ouviu uma história parecida como a relatada a seguir?

Em viagem nos Estados Unidos fui pedir informações para chegar em determinado lugar, mas as pessoas não entendiam o que eu falava. Eu mudava a pronúncia um pouco e quando a pessoa entendia o que eu estava dizendo, ela repetia exatamente como eu havia dito na primeira vez. Ou seja, eu não estava falando errado. Aí nós pensávamos: como eles são limitados. 😉

Com uma ou outra diferença, aposto que você já ouviu algum relato semelhante. Acertei? É comum acharmos que é sempre má vontade ou descaso com o turista. Será mesmo essa razão todas as vezes?

Você conhece os ditados “O mesmo pau que bate em Chico bate em Francisco” e “Pimenta nos olhos dos outros é refresco?”. Pois é, assim como a língua portuguesa possui sons inexistentes na língua espanhola, a língua inglesa tem sons que não existem em português. Ou seja, não é impossível as palavras em inglês terem sido pronunciadas pelo brasileiro de uma forma que dificultasse e/ou impedisse a compreensão, apesar de o turista achar que tinha falado “exatamente” como o seu interlocutor.

Nem todo equívoco de pronúncia gera ruído na comunicação, é evidente. Muitas vezes é possível deduzirmos o que está sendo dito só com um pouquinho de boa vontade. O problema, a meu ver, é não olhar para si e procurar o problema no outro. Não estou afirmando que as pessoas que pensam ou agem assim são arrogantes, apenas desconhecem a riqueza fonética da língua inglesa. Ninguém está, portanto, livre desses deslizes de pronúncia.

Você já reparou que, em geral, não percebemos nosso próprio sotaque quando falamos uma língua estrangeira, embora ele seja claríssimo para os nativos daquele idioma? Por quê? Espero que esse texto tenha contribuído para você descobrir a resposta.

O que fazer então para melhorar a pronúncia? Como não fazer confusões parecidas com chamar a “vovó” de “vovô”? Há diversas sugestões de atividades que, em maior ou menor grau, contribuem para o desenvolvimento da pronúncia. Algumas delas são apresentadas nos seguintes textos:

Cf. Séries: como aprender inglês com as séries de TV

Cf. Aprender inglês com música: é possível? E com filmes?

Os problemas pontuais são tratados em posts específicos. Para consultá-los, basta clicar na tag Pronúncia. São quase 200 artigos sobre o assunto com dicas e macetes para você aperfeiçoar sua pronúncia!

Cf. Como melhorar o listening? A dica que você nunca ouviu…

Cf. Como pronunciar as palavras em inglês?

Por fim, não deixe de conhecer o Guia de Pronúncia Completo, do Prof. Adir Ferreira. Esse é um curso completo que vai deixar a sua pronúncia perfeita. Não corra o risco de fazer confusões em inglês equivalentes a trocar a “vovó” pelo “vovô”.

Em tempo, para falar “avó” em inglês, diga grandmother; “avô” é grandfather, “vovó” é grandma e “vovô”, grandpa. Os outros parentes estão em “Graus de parentesco em inglês: as pegadinhas dos plurais“.

Cf. SHIT x SHEET: We don’t use this s… in Brazil!

Cf. 12 vantagens que você está perdendo por não aprender inglês com música

Não deixe de assistir ao vídeo “O que girafa tem a ver com sotaque?” para ampliar seus conhecimentos ainda mais. Curta, comente e se inscreva no canal do Tecla SAP no YouTube. É só clicar aqui e confirmar. Muito obrigado pelo interesse.

Speak up! We’re listening…

O que você achou das dicas de pronúncia usando as palavras “vovó” e “vovô” como referência? Nós do Tecla SAP gostaríamos muito de conhecer a sua opinião. Por favor, envie seu comentário para a gente, no rodapé desta página. Muito obrigado pelo interesse.

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Poliana Almeida
4 anos atrás

Interesting!

Marcio Roberto
Marcio Roberto
4 anos atrás

Isso me lembrou na hora o “Th”. A sensação que dá é de um nó no cérebro!

Ulisses Wehby de Carvalho
Reply to  Marcio Roberto

Márcio, tudo bem?

Concordo. O nó vai se desfazendo à medida que você vai repetindo e mecanizando o processo.

Abraços

Christian
Christian
5 anos atrás

O problema que os hispânicos têm pra diferenciar vovô de vovó, eu tenho para diferenciar “man” de “men”. Já vi até um vídeo em que um nativo mostrava qual a diferença. O problema é que, pra mim, parecia que ele estava falando a mesma coisa das duas vezes.

Ulisses Wehby de Carvalho
Reply to  Christian

Christian, tudo bem?

Você não está sozinho… 😉

Obrigado pela visita e pelo gentileza em comentar. Volte sempre!

Abraços

Ulisses Wehby de Carvalho

Evemar, tudo bem?

As diferenças entre os sotaques britânico e americano podem, às vezes, causar um certo ruído momentâneo na comunicação. Em geral, dois nativos saberão contornar a situação sem grandes percalços. Quase que instantaneamente recorrem a sinônimos, paráfrases, descrições, definições etc. e o mistério é desvendado na hora.

Aliás, essas são as mesmas estratégias a que devemos recorrer em situações semelhantes. Não vai ser tão rápido nem tão fácil, mas costuma dar certo também.

Abraços

Ulisses Wehby de Carvalho

Ricardo, tudo bem?

Obrigado por contribuir para ampliar o debate. O caso de “bottle” até daria outro post porque o problema não está só no “R” alveolar, característico da pronúncia americana como você aponta.

A letra “O” também é um pouco mais aberta e o “LE” final é pronunciado com a língua no céu da boca, característica comum ao inglês falado nos dois lados do Atlântico e que, na grande maioria das vezes, acaba sendo pronunciado com som de “U” pelos brasileiros.

É óbvio que eu não estava presente na loja para saber exatamente como você pronunciou “bottle”. Seu relato, no entanto, é importantíssimo para ilustrar o texto do post. Não é raro serem detectados sómente parte do problema.

Acho melhor eu parar por aqui para não virar post mesmo… Obrigado mais uma vez e volte sempre!

Abraços

Ulisses Wehby de Carvalho

Emmodiver, como vai?

Obrigado pelo feedback simpático. Na verdade, não são eles que “escutam” diferente; eles deixam de escutar o som que estão acostumados a ouvir porque nós estrangeiros deixamos de reproduzir as partes que desconhecemos.

Abraços

Celia De M. Martins
Celia De M. Martins
5 anos atrás

Ri, muito Ulisses! É por aí, mesmo. Eu achava que os Americanos tinham muita má vontade comigo,que não tinham um pingo de paciência e odiava aquele olhar parado pra mim, quando tentava me comunicar. Comecei a me preocupar mais com a pronúncia e melhorar certos fonemas.Tem ajudado,mas estudo continuamente.No outro dia, uma palavra muito simples, causou um olhar de dúvida na minha professora e amiga: store. Puxa, pensei.Tão simples, como ela não está entendendo? Ela é um doce de pessoa,pensou e repetiu a palavra com a pronúncia correta.Muito diferente do que eu estava acostumada a dizer.kkk

Ulisses Wehby de Carvalho

Célia, tudo bem?

Obrigado por contribuir para o debate. No caso de “store”, você percebeu onde estava errando, mas há casos em que não notamos a diferença mesmo nos dois sons. Não há maldade necessariamente em nenhum dos lados. Volte sempre!

Abraços