Expressões esportivas em inglês: The ball is in your court… (Artigo publicado na revista New Routes)

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Expressões esportivas em inglês by Ulisses Wehby de Carvalho

Texto extraído de artigo publicado na revista New Routes com o título “The Ball Is In Your Court” e adaptado para o blog

Expressões esportivas em inglês

expressões esportivas

Expressões esportivas em inglês

Que força estranha é essa que atrai milhões de pessoas aos esportes a ponto de, às vezes, até mesmo perderem o controle de suas emoções? Você já parou para pensar em quantas pessoas, digamos numa quarta-feira à noite, se deslocam de suas casas para assistirem a um evento esportivo? Não estou me referindo apenas às partidas decisivas dos principais torneios de futebol realizadas em estádios lotados e televisionadas para dezenas de países. Não estou falando da Copa do Mundo que ultrapassa, somados os índices de audiência de todas as partidas, a impressionante marca de 30 bilhões de telespectadores. É isso mesmo: 30 bilhões!

Pense, por um instante, no que há em comum entre Cali, Eindhoven, Edmonton, Carlos Barbosa, Dacar, Baltimore, Marselha, Kiev, Sertãozinho, Shizuoka, Doha, Green Bay e Franca. Religião? Língua? Clima? Altitude? Regime político? A resposta não seria tão óbvia se não estivéssemos falando sobre este assunto, não é mesmo? As modalidades podem até ser diferentes mas a paixão pelo esporte é a mesma. Pois bem, o que faz então com que povos tão diferentes compartilhem desta característica comum? As respostas podem ser inúmeras e as justificativas intermináveis. Por mais imponderável que possa parecer, existe algo que atrai o ser humano a esta atividade.

Por que usar expressões esportivas em outros contextos?

Sejam quais forem as respostas para as indagações acima, elas talvez expliquem o uso frequente de expressões esportivas em áreas do conhecimento humano que não têm nenhuma relação com o meio esportivo. Sem se preocupar com estas questões, escritores, oradores, jornalistas, líderes políticos e empresariais, cientistas, economistas etc. fazem uso de tais expressões para estabelecer um vínculo com seu público que vai além da relação racional. Ao fazer uso de imagem facilmente identificada, conseguem ilustrar seu ponto de vista e criar empatia com seus interlocutores.

Espírito de equipe, disciplina, empenho, força de vontade, criatividade, motivação, ousadia, garra, determinação etc. são virtudes de equipes e atletas vencedores e que qualquer executivo gostaria de transportar para a sua organização. Que líder político ou empresarial não gostaria de ver seus subordinados trabalhando com o mesmo profissionalismo de uma equipe de mecânicos de uma escuderia vitoriosa? O que melhor representa o trabalho em equipe, no qual as individualidades dão lugar ao objetivo comum, do que um time vencedor? Não importa a modalidade esportiva; pode ser remo, hóquei sobre o gelo, ou até mesmo o futebol… Quem melhor do que Michael Jordan para demonstrar a frieza necessária para fazer o arremesso decisivo faltando menos de um segundo no cronômetro? Quem melhor do que qualquer atleta amador para mostrar o que é realmente gostar do que se faz?

Expressões esportivas em português

Lançamos mão desses recursos na língua portuguesa diariamente e nem nos damos conta de que estamos fazendo analogia com imagens e situações oriundas do meio esportivo. As expressões “salvo pelo gongo”, “golpe baixo”, “páreo duro”, “estar na marca do pênalti”, “ser jogado pra escanteio” etc. são empregadas com freqüência nos mais diferentes contextos. Fazem parte do vocabulário, passivo e ativo, de qualquer brasileiro que possua um nível básico de instrução. Entretanto, pela própria característica cultural de nosso povo, elas ficam geralmente restritas às situações informais.

É evidente que cada país faz uso de expressões advindas das modalidades esportivas mais conhecidas por seus cidadãos. Portanto, não encontraremos expressões oriundas do beisebol e do futebol americano na língua portuguesa nem no inglês falado na Europa.

Ao lermos ou ouvirmos em inglês uma expressão do atletismo ou do boxe, por exemplo, a dificuldade de identificação, compreensão ou eventual tradução não é tão grande justamente porque estas modalidades são comuns às duas culturas. É relativamente simples transportar a imagem ou conceito representado pela expressão para o outro idioma. Este é o caso de raise the bar, neck and neck, jump ball, dark horse, kick off, dive in, take the wind out of one’s sails etc. Observe os exemplos abaixo.

Expressões esportivas em inglês: exemplos

Há expressões, como call the shots, cujo emprego não se limita a apenas uma modalidade. Há ainda outros exemplos, como whistleblower, team player, a bad sport, come out winners, close race, fair play, get the ball rolling etc. Nestes casos, também são raras as dificuldades de compreensão, conforme podemos observar também em sideline.

Expressões esportivas em inglês: esportes pouco conhecidos no Brasil

Os maiores problemas com as expressões esportivas na língua inglesa começam a surgir quando elas têm a sua origem em esportes praticamente desconhecidos do universo cultural brasileiro, fato que, diga-se de passagem, costuma ocorrer com muita freqüência. Dentre estes, cabe destacar o beisebol, pois trata-se do principal “doador” de expressões no inglês americano. Adicionem-se aí mais dois agravantes: seu emprego é mais frequente do que na língua portuguesa e não se limitam às situações informais como quase sempre acontece em português. Constantemente, tais expressões surgem em textos, escritos ou orais, de economia, política, ciências, marketing etc. e pegam leitores ou ouvintes brasileiros totalmente desprevenidos. Por conseguinte, acabam comprometendo parcial ou totalmente a compreensão de um conceito ou de um exemplo. As seguintes expressões se enquadram nesta categoria: clout, huddle, bottom of the ninth, fumble, back to the minors, Monday morning quarterback, out in left field, out of one’s league, pinch hit, play hardball, step up to the plate, (way) off base etc.

Como assimilar as expressões esportivas?

Vale ressaltar que o emprego de expressões esportivas não se restringe ao inglês americano. Muitos exemplos usados no livro O Inglês na Marca do Pênalti foram extraídos de grandes órgãos de imprensa da Inglaterra. O que fazer então para não continuar a ser presa fácil destas armadilhas? Não, esta não é outra pergunta que ficará sem resposta. Nem tampouco advogarei em causa própria fazendo um comercial barato do meu livro. Você já deve estar imaginando: “O que este sports buff vai sugerir? Só faltava ele querer que eu assista à ESPN… nem pensar!”

Tenho consciência de que, para quem não gosta de esportes, esta seria uma tarefa quase impossível. Contudo, é muito mais difícil assimilar o significado destas expressões sem conhecer, pelo menos um pouco, as modalidades que deram origem a estes termos. Portanto, se você julga fazer parte do grupo que não gosta de esportes, em primeiro lugar, meus parabéns por ter conseguido ler este artigo até aqui. Não desista agora! Procure pensar um pouco sobre o lado positivo do esporte, lembre-se da sua importância na formação do caráter dos jovens, em seu papel social, nos benefícios à saúde física e mental de pessoas de todas as idades etc. Procure se interessar um pouco mais, consulte livros e amigos, assista a algumas partidas de beisebol e de futebol americano, por exemplo. Em pouco tempo, você terá noções básicas que serão suficientes para compreender grande parte das expressões esportivas.

Tente, por si só, descobrir o motivo pelo qual milhões de pessoas se sentem atraídas por esta força estranha. Você pode até mesmo não chegar a nenhuma conclusão mas vai ficar craque no assunto.

OBSERVAÇÃO: O uso exagerado de expressões esportivas é condenável, assim como quaisquer outros excessos na produção de um texto. Não cabe a mim, contudo, julgar os textos jornalísticos usados como exemplo neste artigo e no livro O Inglês na Marca do Pênalti. O objetivo primordial deste trabalho é ajudar o lusófono a reconhecer, compreender e, se necessário, traduzir tais expressões para a língua portuguesa.

O autor

Ulisses Wehby de Carvalho é intérprete de conferências há mais de vinte anos e autor de quatro livros: “Aprenda inglês com humor – Micos que você não pode pagar“, Disal Editora, 2012; “Dicionário dos erros mais comuns em inglês“, Editora Campus/Elsevier, 2005; “Dicionário das palavras que enganam em inglês“, Campus/Elsevier, 2004; e “O inglês na marca do pênalti“, Disal Editora, 2003.